Eu poderia dizer que não vivo sem você, poderia dizer o quanto dói não ter você aqui ou poderia me humilhar e implorar para ter você aqui mais uma vez como fiz todas às outras vezes quando tu foste embora. Mas agora não, já chega! Sempre vivi sem você porque seria diferente agora? Vivi por muito tempo sem ti e posso afirmar que eu era muito mais feliz. Sim, uma felicidade verdadeira baseada em emoções e história verdadeiras, não nessa falsa felicidade que eu vivia contigo, uma felicidade construída a base de mentiras e mais mentiras. Dói não ter você aqui, não vou mentir, é uma dor insuportável, machuca a ponto de deixar cicatrizes. Mas, que melhor cicatrizante do que o tempo não é verdade? Este não é capaz de sumir com estas cicatrizes por inteiro, afinal grandes machucados sempre deixam uma marca — por isso não somos capazes de esquecê-las, ela sempre estará ali para nós trazer vagas lembranças do acontecido —, mas ela já não dói como antes.  É verdade que você me fez muito mal, mas também devo admitir que você fez com que eu me sentisse muito bem. Você apareceu no momento que eu mais precisava de alguém, você disse tudo o que eu precisava ouvir naquele momento — mesmo que talvez tenha sido tudo da boca pra fora — e isso me fez um bem enorme. Você me mandava sms de madruga e me ligava pra dizer que estava com saudade. Alguém sentia saudade de mim? Era algo tão novo e inesperado que eu acreditei, que boba não? “Eu te amo”, você sussurrava no meu ouvindo com essa tua voz de anjo, seria verdade? Talvez. Quero acreditar que tinha amor nessa nossa curta história. Eu quero ter certeza. Eu tenho certeza. Mas que idiota, claro que tinha amor. Amor, a única coisa verdadeira na porra toda. Mas me responda: desde quando amor é suficiente? É preciso muito mais, um ‘mais’ que nos falta até demais. Karolanne, sonho†acucarado.



Eram duas e meia da manhã e alguém bateu na porta. 

- Oi.

- Gabriel? - Ela não consegue sequer esconder a felicidade na voz.

- Oi, Laura.

Silêncio.

- É… o porque da visita? - A este momento ela já estava cheia de esperança de que ele teria vindo buscá-la. Que iriam começar tudo de novo. Acertar onde erraram, consertar o que haviam quebrado. 

- Eu acho que deixei algumas coisas aqui.

E imediatamente o mundo dela cai. Como se fosse um copo que cai ao chão e no mesmo instante se transforma em milhares de pedaços.

- Ah, sim. Eu deixei algumas camisas suas passadas encima do armário. Pode ir lá pegar.

- No noss, quer dizer, no seu armário?

- Sim, no meu armário.

Quando ele já está entre a porta e o hall do elevador, ela não consegue segurar o choro.

- Porque você está chorando?

- Não é nada. Apenas lembranças. Lembranças que eu daria o mundo pra esquecer.

- Ah, sim. 

A frieza dele era como uma facada no seu coração.

Silêncio.

- Não está esquecendo de mais nada? - Diz com a voz tão fraca que é quase impossível de ouvi-la.

- Não, acho que peguei tudo. 

- Tem certeza?

- Tenho, Laura. Eu peguei tudo que estava encima do armário.

E quando ele já está de costas para a porta, ela gritou:

- Espere!

- O que foi agora?

- Não vai agora, deixa eu ficar vendo seu rosto só mais um pouquinho.

- São duas horas da manhã, eu tenho que voltar para casa.

- Você está em casa.

Silêncio.

- Essa casa não é mais minha. É sua. 

E a cada momento ela estava desmoronando um pouco mais.

- Então vai.

- Se eu esqueci de levar alguma coisa, me liga depois pra eu vir pegar.

- Você está esquecendo de alguma coisa.

- De quê?

- De mim. Marianna, d-runkbitch.